A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) aposta na criação de oportunidades de emprego, promoção do empreendedorismo e fortalecimento da coesão social como estratégias para reduzir a vulnerabilidade dos jovens ao extremismo violento e reforçar a resiliência das comunidades do Norte de Moçambique.
A posição foi reafirmada esta quarta-feira, 7 de Outubro, em Pemba, pelo Presidente da Comissão Executiva (PCE) da ADIN, Jacinto Loureiro, durante uma feira comunitária realizada na Casa Provincial de Cultura, que reuniu jovens, associações e organizações da sociedade civil beneficiárias de iniciativas apoiadas pelo Fundo Global para o Envolvimento e a Resiliência das Comunidades (GCERF), com coordenação da ADIN.
A feira permitiu a participantes de Cabo Delgado, Nampula e Niassa apresentar produtos, negócios e experiências desenvolvidos no âmbito de iniciativas de prevenção do extremismo violento, evidenciando como as actividades económicas podem criar alternativas concretas para a juventude e contribuir para a coesão social.
Segundo Jacinto Loureiro, o acesso a oportunidades económicas constitui uma componente importante na prevenção do extremismo violento, sobretudo entre jovens que procuram meios de subsistência.
“Muita juventude a buscar pequenos negócios, muita juventude a fazer trabalhos que evitam o jovem aderir ao extremismo violento”, afirmou, defendendo igualmente a necessidade de renovar as formas de comunicação e intervenção. “Há muitas mensagens que já estão desgastadas. Temos que inovar, temos que trazer novas mensagens e novas abordagens”, acrescentou.
Entre os beneficiários está Egnalda Marcos, jovem de Pemba que desenvolve actividade no comércio de capulanas. Através da iniciativa, adquiriu conhecimentos sobre gestão financeira e poupança. “Antes não sabia o que era poupar, mas agora já sei”, contou.
De Eráti, na província de Nampula, Rufino Ramos apresentou produtos produzidos por jovens, incluindo chapéus, mesas, blocos de cimento e produtos agrícolas como beterraba, feijão e cebola. Segundo Rufino, 210 jovens foram capacitados em empreendedorismo e, através de grupos de poupança, conseguiram criar pequenos negócios capazes de gerar rendimento e novas oportunidades.
Para Rufino, as capacitações e os grupos de poupança estão a permitir que os jovens transformem conhecimentos em iniciativas económicas concretas, reforçando a sua participação nas comunidades e ampliando as possibilidades de geração de rendimento.
O gestor regional do GCERF, Mickael Amar, considerou a feira uma oportunidade para observar directamente os resultados alcançados pelos beneficiários. “Reunimos todos os participantes, todos os beneficiários que trabalharam durante o projecto, e ver os resultados e as coisas concretas que eles criaram foi uma boa oportunidade”, afirmou. Ao longo de três anos, o GCERF investiu cerca de quatro milhões de dólares em Cabo Delgado, Nampula e Niassa, apoiando iniciativas de prevenção do extremismo violento, coesão social e actividades económicas. Segundo Amar, 2026 marca o último ano do actual projecto, estando em análise a sua extensão, no âmbito da revisão da estratégia do GCERF para o período 2027–2030.
Mickael Amar explicou que a estratégia de investimento foi desenvolvida em parceria com a ADIN, permitindo alinhar as intervenções com as prioridades da região. “Trabalhámos juntos a definir a nossa estratégia de investimento e alinhar o nosso investimento com a estratégia da ADIN e ver quais seriam as regiões principais para priorizar o nosso investimento”, afirmou.
A iniciativa evidencia, assim, a importância das oportunidades económicas e da participação juvenil na construção de comunidades mais resilientes. Para a ADIN, o investimento no empreendedorismo, emprego e coesão social constitui uma forma de criar alternativas concretas para os jovens e reforçar a sua participação na prevenção do extremismo violento no Norte de Moçambique.