A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) defende o reforço da coordenação entre o Governo, a sociedade civil, os parceiros de desenvolvimento e as comunidades para fortalecer a prevenção do extremismo violento no norte de Moçambique.
A posição foi defendida esta quinta-feira, 8 de Outubro, pelo Presidente da Comissão Executiva (PCE) da ADIN, Jacinto Loureiro, durante a abertura da Comunidade de Práticas sobre Prevenção do Extremismo Violento, que decorre em Cabo Delgado e reúne diferentes actores ligados à promoção da paz, do desenvolvimento e da resiliência comunitária.
Loureiro destacou que a prevenção do extremismo violento não deve limitar-se à dimensão da segurança, devendo também responder a factores como a falta de oportunidades económicas, o desemprego juvenil, a exclusão social, a desigualdade de género, o acesso à justiça e as fragilidades da coesão comunitária.
O dirigente defendeu ainda a avaliação das iniciativas implementadas nos últimos três anos, com o envolvimento das comunidades na identificação dos resultados alcançados, dos desafios enfrentados e das áreas que necessitam de melhorias.
“Não podemos desenhar soluções para as comunidades sem ouvir as comunidades”, sublinhou.
Para a ADIN, os jovens e as mulheres devem ocupar um lugar central nas estratégias de prevenção, através do reforço das oportunidades de educação, emprego, empreendedorismo e participação cívica.
Loureiro apelou igualmente a uma maior articulação entre os diferentes intervenientes, de modo a evitar a duplicação de esforços, optimizar a utilização dos recursos e garantir respostas ajustadas às necessidades concretas das comunidades.
Por seu turno, o Gestor Regional do Fundo Global para o Engajamento e Resiliência das Comunidades (GCERF), Mickael Amar, destacou a importância das organizações que trabalham directamente com as comunidades, considerando que as experiências locais constituem uma fonte importante de aprendizagem para o aperfeiçoamento das intervenções.
Segundo Amar, a Comunidade de Práticas permite aos diferentes actores partilhar resultados, desafios e experiências, criando oportunidades para identificar abordagens que contribuam para respostas futuras mais eficazes e alinhadas com a realidade das comunidades.
A ADIN reafirmou a sua disponibilidade para continuar a trabalhar com o Governo, o GCERF, as organizações da sociedade civil, os parceiros de desenvolvimento, a academia e as comunidades, defendendo que a prevenção do extremismo violento passa pelo investimento na paz, no desenvolvimento e na criação de oportunidades para as populações.
A Comunidade de Práticas sobre Prevenção do Extremismo Violento decorre durante dois dias, em Cabo Delgado, proporcionando um espaço de diálogo e partilha de experiências entre os diferentes actores envolvidos nas iniciativas de prevenção do extremismo violento no país.
